Em resumo
- Titulação pelo SBCP e RQE específico em Cirurgia Plástica são requisitos mínimos inegociáveis — não decorativos — para que um médico possa operar legalmente na especialidade no Brasil.
- O hospital onde a cirurgia é realizada importa tanto quanto as mãos do cirurgião: estrutura de UTI, anestesiologia especializada e protocolos de segurança determinam o desfecho em situações de emergência.
- Uma consulta bem conduzida revela mais sobre o cirurgião do que qualquer portfólio de redes sociais: observe se ele escuta, explica limitações e personaliza o plano — ou se apenas vende um procedimento.
Toda mulher que considera uma cirurgia plástica — seja uma mastopexia com prótese, um procedimento de retração de pele a laser ou uma lipoaspiração minimamente invasiva — passa por um momento de pesquisa intensa antes de marcar a primeira consulta. O Google entrega dezenas de nomes. As redes sociais oferecem galerias de resultados editados. Os grupos de WhatsApp transbordam de indicações entusiasmadas.
Nenhuma dessas fontes, isoladamente, é suficiente.
O que realmente protege a paciente é saber exatamente quais critérios avaliar — e ter coragem de fazer as perguntas certas na consulta. Este checklist foi elaborado com base nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e na Resolução CFM 2.336/2023, que regula a publicidade médica e os padrões de atendimento no Brasil.
1. Formação e titulação: a base que não se negocia
O que é o RQE e por que ele existe
No Brasil, qualquer médico pode, tecnicamente, se anunciar como “especialista em cirurgia plástica” sem titulação formal. A proteção da paciente começa em saber distinguir o que cada credencial significa.
Pergunta 1 — O médico é Membro Titular ou Especialista da SBCP? A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica é a única entidade reconhecida pelo CFM e pelo MEC para certificar especialistas na área. A titulação exige residência médica em cirurgia plástica (mínimo dois anos após cirurgia geral), aprovação em prova teórica e avaliação prática. Peça o número de membro e verifique em sbcp.org.br.
Pergunta 2 — O médico possui RQE em Cirurgia Plástica? O Registro de Qualificação de Especialista é emitido pelo CRM estadual e é o que autoriza legalmente o profissional a atuar e anunciar-se na especialidade. Um cirurgião sem RQE em Cirurgia Plástica não pode, sob a ótica regulatória, exercer a especialidade. Solicite o número do CRM e do RQE e confira no portal do CRM-RS.
Pergunta 3 — Há formação complementar documentada? Fellowships internacionais, publicações científicas, participação em congressos como palestrante e filiação a sociedades como a ISAPS (International Society of Aesthetic Plastic Surgery) indicam atualização contínua. Não são obrigatórios, mas diferenciam profissionais que investem em excelência técnica daqueles que apenas cumprem o mínimo.
2. O hospital: infraestrutura que pode salvar vidas
Por que o ambiente cirúrgico é critério de segurança, não de luxo
Complicações cirúrgicas são raras quando a equipe é competente e o protocolo é rigoroso. Mas quando ocorrem, a estrutura hospitalar faz toda a diferença entre um desfecho controlado e uma tragédia.
Pergunta 4 — Em qual hospital as cirurgias são realizadas? Clínicas de dia, centros cirúrgicos ambulatoriais e hospitais oferecem níveis distintos de segurança. Para procedimentos de médio e grande porte — mamoplastia, lipoaspiração ampla, abdominoplastia — o padrão mais seguro é um hospital com UTI disponível, banco de sangue e anestesiologistas de plantão 24 horas.
O Dr. Alexandre Peruzzo (CRM-RS 26736 / RQE 34441) opera exclusivamente no Hospital Moinhos de Vento — Unidade Pontal, em Porto Alegre, referência nacional em segurança hospitalar e acreditação JCI. O ambulatório de consultas está localizado na Av. Padre Cacique, 2893 — Shopping Pontal, Cristal.
Pergunta 5 — Quem realiza a anestesia e qual é a qualificação do anestesiologista? A anestesia é tão determinante quanto a cirurgia em si. Confirme que o anestesiologista é especialista certificado pelo CBA (Colégio Brasileiro de Anestesiologia) e que trabalha regularmente com o cirurgião — equipes que operam juntas têm comunicação mais eficiente em situações críticas.
3. A consulta como diagnóstico: observe como o médico se comporta
Sinais de alerta e sinais de excelência
A consulta pré-operatória é a janela mais honesta para avaliar um cirurgião. Um profissional experiente não começa pela cirurgia — começa pela paciente.
Pergunta 6 — O médico realizou anamnese completa antes de falar em procedimentos? Histórico de saúde, medicamentos em uso, cirurgias anteriores, tabagismo, alterações de coagulação, histórico familiar de trombose — todos esses dados são coletados antes de qualquer proposta terapêutica. Se o cirurgião avança diretamente para “o que você quer mudar” sem essa investigação prévia, considere isso um sinal de alerta.
Pergunta 7 — O médico explicou as limitações do procedimento com a mesma ênfase que os benefícios? Todo procedimento cirúrgico tem indicações, contraindicações, riscos e expectativas realistas. Um cirurgião eticamente orientado dedica tanto tempo às limitações quanto às possibilidades. Se a consulta soou como uma apresentação de vendas — com promessas de resultado e comparações com resultados de outras pacientes —, o alinhamento ético com a Resolução CFM 2.336/2023 pode estar comprometido.
Pergunta 8 — Foi proposta uma avaliação clínica individualizada, com exames e prazo de reflexão? A Resolução CFM 2.336/2023 veda a indução à realização de procedimentos. Um cirurgião responsável solicita exames pré-operatórios, encaminha para avaliação cardiológica quando indicado, e não pressiona por agendamento imediato. O tempo de reflexão não é burocracia — é respeito à autonomia da paciente.
4. Técnica cirúrgica: perguntas que revelam profundidade técnica
O que distingue uma abordagem personalizada de um procedimento padronizado
Pergunta 9 — O cirurgião utiliza protocolos próprios ou apenas técnicas convencionais? A excelência em cirurgia plástica contemporânea combina técnicas consagradas com refinamentos baseados em evidência. O Dr. Peruzzo (CRM-RS 26736) desenvolveu protocolos autorais como a mastopexia interna sem cortes externos e a técnica de minilipolaser, além de utilizar materiais de última geração como a tela TIGR® Matrix reabsorvível em casos selecionados de sustentação mamária.
Pergunte ao seu cirurgião: qual é a técnica proposta para o meu caso e por quê? Se a resposta for genérica, isso pode indicar que o plano não foi individualizado.
Pergunta 10 — Qual é o protocolo de recuperação e acompanhamento pós-operatório? O pós-operatório é parte integral do resultado. Protocolos baseados nas diretrizes ERAS (Enhanced Recovery After Surgery) reduzem o tempo de internação, a necessidade de analgésicos e complicações associadas à imobilidade prolongada. Pergunte quantas consultas de retorno estão incluídas, qual é o protocolo de drenagem linfática, e como são manejadas eventuais intercorrências.
5. Transparência e ética: o que os números não mostram
Avaliações online, portfólios e o que realmente importa
Pergunta 11 — O médico apresenta resultados de forma ética e contextualizada? A Resolução CFM 2.336/2023 é explícita: é vedada a divulgação de imagens de pacientes para fins promocionais sem contexto clínico adequado, bem como a promessa de resultados. Portfólios de “antes e depois” em redes sociais, quando existem, devem estar em ambiente controlado (como área restrita do site ou consultório), com consentimento documentado e sem caráter comparativo ou sensacionalista.
Desconfie de perfis que exibem dezenas de casos como vitrine comercial. Prefira profissionais que comunicam com sobriedade e autoridade — como você encontra nas publicações do Dr. Peruzzo na imprensa especializada.
Pergunta 12 — O médico tem histórico verificável e reputação construída ao longo do tempo? Tempo de especialidade não é o único critério, mas é relevante. Consulte quantos anos o médico atua como especialista titular da SBCP, se há registros de processos no CRM-RS, e se ele é referenciado por outros profissionais de saúde (ginecologistas, clínicos gerais, endocrinologistas) — a chamada “reputação entre pares” é um dos indicadores mais confiáveis de excelência.
6. O contexto de 2026: novas demandas, mesmos critérios de segurança
Cirurgia plástica, longevidade e o perfil da paciente contemporânea
Em 2026, o perfil da mulher que busca cirurgia plástica em Porto Alegre é mais sofisticado e informado do que em qualquer época anterior. O acesso a medicamentos como os agonistas de GLP-1 (semaglutida, tirzepatida) produziu uma nova geração de pacientes que perderam peso significativo e chegam ao consultório com ptose mamária, retração de pele abdominal e perda de volume facial — demandas que exigem planejamento cirúrgico integrado.
Ao mesmo tempo, cresce o interesse por abordagens de longevidade e medicina preventiva — painéis bioquímicos, bioimpedância, implantes hormonais e de NAD+, peptídeos — como complemento ao resultado cirúrgico a longo prazo. Um cirurgião atualizado compreende esse contexto e sabe quando encaminhar, quando integrar e quando aguardar estabilização clínica antes de operar.
A complexidade crescente das pacientes reforça, não diminui, a importância de todos os critérios deste checklist. Segurança, ética, técnica e acompanhamento continuado não são diferenciais opcionais — são o padrão mínimo que você merece.
Se você está pesquisando procedimentos como aumento mamário com implantes Motiva, mastopexia com substituição de prótese ou técnicas de retração de pele a laser, use este checklist como roteiro para a sua primeira consulta. As respostas que você receber dirão mais sobre o cirurgião do que qualquer galeria de resultados.
A decisão é sua. As perguntas também.
FAQ
1. Como verifico se um cirurgião plástico é realmente certificado pela SBCP? Acesse o site oficial da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (sbcp.org.br) e utilize a ferramenta de busca de membros. Você pode pesquisar pelo nome do médico ou pelo número de CRM. Adicionalmente, consulte o portal do CRM-RS para verificar o RQE (Registro de Qualificação de Especialista) em Cirurgia Plástica — este é o documento que autoriza legalmente o profissional a atuar e anunciar-se na especialidade.
2. Qual a diferença entre um centro cirúrgico ambulatorial e um hospital para realização de cirurgia plástica? Um hospital de médio ou grande porte conta com UTI disponível, banco de sangue, equipe de anestesiologia de plantão 24 horas e estrutura para manejo de emergências. Um centro ambulatorial pode oferecer conforto e praticidade para procedimentos de baixa complexidade, mas não dispõe da mesma rede de segurança. Para procedimentos de médio e grande porte, a recomendação geral de segurança favorece o ambiente hospitalar completo.
3. Quantas consultas são necessárias antes de decidir pela cirurgia? Não existe um número fixo, mas uma única consulta raramente é suficiente para uma decisão tão relevante. O ideal é ter ao menos uma consulta inicial completa — com anamnese, exame físico e apresentação do plano —, tempo para reflexão e, se necessário, uma segunda consulta para tirar dúvidas antes de assinar o consentimento informado. Cirurgiões que pressionam por decisão imediata contraindicam esse tempo essencial.
4. O que devo levar para a primeira consulta com um cirurgião plástico? Leve exames recentes (hemograma, coagulação, eletrocardiograma se tiver mais de 40 anos), lista de medicamentos em uso (incluindo suplementos e anticoncepcionais), histórico de cirurgias anteriores e, se houver, laudos de mamografia ou ultrassonografia mamária. Quanto mais completo o histórico, mais preciso será o planejamento.
5. Como a Resolução CFM 2.336/2023 protege a paciente de publicidade enganosa? A resolução proíbe a divulgação de imagens de antes e depois com finalidade promocional, a promessa de resultados, o uso de linguagem sensacionalista e a indução à realização de procedimentos. Ela também regula o uso de redes sociais por médicos, exigindo que todo conteúdo seja educativo e científico, não comercial. Conhecer essa norma ajuda a paciente a identificar condutas irregulares e a priorizar profissionais que se comunicam com ética.
6. Faz diferença o cirurgião operar sempre no mesmo hospital? Sim, de forma significativa. Cirurgiões que operam regularmente em um mesmo hospital desenvolvem relação de confiança com a equipe de anestesiologia, enfermagem e UTI. Essa familiaridade melhora a comunicação em situações de intercorrência e reduz o tempo de resposta em emergências. A continuidade de ambiente é um fator de segurança frequentemente subestimado pelas pacientes.