Prótese de mama e câncer: o que o estudo PRS 2025 revelou sobre imunovigilância

Um estudo publicado em 2025 no Plastic and Reconstructive Surgery levantou questões relevantes sobre como o sistema imunológico responde à presença de implantes mamários — e o que isso significa para mulheres que já operam ou planejam operar.

Dr. Alexandre Peruzzo · · 9 min de leitura · Cirurgia de mama
Mulher elegante e serena em ambiente refinado, refletindo confiança e consciência sobre saúde feminina

Em resumo


O que o estudo PRS 2025 investigou — e por que ele importa

Em meados de 2025, o Plastic and Reconstructive Surgery, periódico oficial da American Society of Plastic Surgeons e uma das publicações de maior impacto na especialidade, trouxe um trabalho dedicado ao tema da imunovigilância tecidual em pacientes portadoras de implantes mamários. O termo — imunovigilância — refere-se à capacidade do sistema imunológico de identificar e eliminar células com comportamento anômalo antes que se estabeleça uma doença franca. A pergunta central dos pesquisadores era: o microambiente criado pela cápsula periprotética altera essa vigilância de maneira clinicamente relevante?

A resposta, como é comum na ciência séria, não é simples. O estudo evidenciou que a cápsula fibrosa que naturalmente se forma ao redor de qualquer corpo estranho — incluindo implantes de silicone — abriga um infiltrado inflamatório crônico de baixo grau, composto principalmente por linfócitos T, macrófagos e células dendríticas. Em condições normais, esse infiltrado é contido, não causa sintomas e coexiste de forma estável com o tecido mamário adjacente. O ponto de atenção levantado pelos pesquisadores diz respeito a situações em que esse microambiente imunológico se desregula — seja por fatores ligados à superfície do implante, seja por predisposição genética da paciente ou por eventos infecciosos subclínicos.

O estudo não estabelece causalidade entre implante mamário e carcinoma ductal ou lobular — esse ponto é fundamental para que a leitura seja feita sem alarme desproporcional. O que ele propõe é uma hipótese de modulação imunológica local que pode, em populações específicas e sob condições ainda não totalmente elucidadas, influenciar o comportamento de células pré-malignas já presentes no tecido — algo que teria impacto não apenas para portadoras de implantes estéticos, mas sobretudo para pacientes em reconstrução pós-mastectomia, que frequentemente já apresentam alterações no microambiente mamário.

Para a prática clínica em Porto Alegre e no restante do Brasil, a leitura mais prudente desse estudo é a de reforço à cultura do acompanhamento — não de restrição à cirurgia.


Imunovigilância, cápsula e BIA-ALCL: entendendo os diferentes riscos

Para compreender o estudo com rigor, é necessário distinguir fenômenos que a imprensa leiga frequentemente confunde.

Carcinoma mamário e implantes: o que os dados dizem

Décadas de estudos epidemiológicos — incluindo metanálises publicadas no Annals of Surgery e no British Journal of Cancer — não encontraram associação estatisticamente significativa entre implantes de silicone e o desenvolvimento de câncer de mama epitelial (o tipo mais comum de câncer de mama). Mulheres com implantes desenvolvem câncer de mama na mesma frequência que a população geral, ajustada para fatores de risco convencionais como idade, histórico familiar, densidade mamária e status hormonal. O que muda com a presença do implante é a complexidade do rastreamento por imagem — tema abordado adiante.

BIA-ALCL: o linfoma raro que exige atenção específica

O Breast Implant-Associated Anaplastic Large Cell Lymphoma (BIA-ALCL) é uma entidade distinta do câncer de mama. Trata-se de um linfoma de células T que se desenvolve na cápsula periprotética — não no tecido mamário em si — e está associado predominantemente a implantes de superfície macrotexturizada. A Anvisa, a FDA e a SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) emitem alertas e diretrizes sobre esse tema desde 2019, quando implantes de alta texturização de determinadas marcas foram retirados do mercado global.

O PRS 2025 contribui para esse debate ao detalhar os padrões de infiltrado linfocitário em cápsulas de pacientes com diferentes tipos de implante, sugerindo que superfícies lisas ou microtexturizadas — como as dos implantes Motiva, amplamente utilizados pelo Dr. Peruzzo (CRM-RS 26736) no Hospital Moinhos de Vento — Unidade Pontal, em Porto Alegre — apresentam perfis imunológicos capsulares mais favoráveis, com menor densidade de linfócitos ativados.

Inflamação crônica subclínica: o novo foco de investigação

O aspecto mais inovador do estudo de 2025 não está no BIA-ALCL — já bem caracterizado — mas na inflamação crônica de baixo grau como possível modulador da imunovigilância local. Os pesquisadores identificaram, em biópsias capsulares de pacientes assintomáticas, marcadores de ativação imunológica que, em outros contextos oncológicos, estão associados à supressão da vigilância antitumoral. Isso não significa que o implante provoque câncer; significa que a pesquisa sobre o microambiente imunológico periprotético ainda está em estágios iniciais e merece monitoramento longitudinal — o que justifica o acompanhamento regular de toda paciente portadora de implante.


Rastreamento mamário em portadoras de implante: o que muda na prática

A presença de um implante de silicone impõe adaptações importantes ao protocolo de rastreamento mamário — um ponto sobre o qual há muita desinformação.

Mamografia com manobras de Eklund

A mamografia convencional pode ter sua sensibilidade reduzida em mamas com implante, pois o silicone é radiopaco e pode obscurecer tecido glandular adjacente. As manobras de Eklund (deslocamento do implante para posterior e avanço do tecido mamário para o compressor) aumentam significativamente a área de parênquima avaliável e são parte do protocolo padrão em centros de diagnóstico experientes. Toda paciente com implante deve informar o serviço de imagem sobre a presença do dispositivo antes do exame.

Ressonância magnética e ultrassonografia

A ressonância magnética das mamas é considerada o exame de maior sensibilidade para avaliação da integridade do implante e para detecção de lesões mamárias em portadoras de prótese, especialmente naquelas com mamas densas ou histórico familiar de risco. A ultrassonografia mamária, por sua vez, é o método de escolha para avaliação do espaço periprotético e detecção precoce de coleções — o sinal mais precoce de BIA-ALCL é o seroma tardio, ou seja, acúmulo de líquido ao redor do implante após um ano da cirurgia.

A conduta recomendada pela SBCP e pela American Society of Plastic Surgeons para toda portadora de implante inclui: rastreamento mamário anual com o método adequado ao perfil da paciente, avaliação clínica com o cirurgião plástico responsável e comunicação imediata em caso de alteração na mama (assimetria nova, aumento de volume, dor persistente ou endurecimento).


O papel da escolha do implante na segurança a longo prazo

Uma das contribuições práticas mais relevantes do PRS 2025 está no reforço à ideia de que a escolha do implante não é uma decisão estética isolada — é uma decisão com implicações biológicas e imunológicas que devem ser discutidas com o cirurgião plástico de forma aprofundada.

Superfície, textura e resposta imunológica

O estudo compara perfis de infiltrado capsular de acordo com a superfície do implante. Implantes macrotexturizados (com superfície altamente irregular) estão associados a maior área de contato entre silicone e tecido, maior resposta inflamatória crônica e — conforme literatura consolidada — maior risco de BIA-ALCL. Implantes de superfície lisa ou com microtexturização controlada, como os da linha Motiva (fabricante Establishment Labs), apresentam cápsulas com perfil inflamatório menos exuberante nas análises histológicas.

No consultório do Dr. Peruzzo (CRM-RS 26736), localizado na Av. Padre Cacique, 2893 — Shopping Pontal, Cristal, em Porto Alegre, a preferência pelos implantes Motiva está alinhada exatamente a esse conjunto de evidências: além das propriedades biomecânicas do gel cohesivo e da rastreabilidade individual de cada dispositivo pela tecnologia RFID, o perfil de biocompatibilidade dos implantes Motiva é respaldado por estudos de longo prazo publicados em periódicos de referência.

Plano de posicionamento e proteção capsular

Outro fator com implicação imunológica é o plano de posicionamento do implante. O posicionamento subfascial ou subpeitoral parcial (dual plane) coloca o dispositivo em contato com tecido muscular vascularizado, o que favorece a qualidade da resposta reparadora e a formação de uma cápsula mais organizada. Essa é também a abordagem preferencial nas técnicas realizadas no Hospital Moinhos de Vento — Unidade Pontal, em Porto Alegre, onde toda a infraestrutura de centro cirúrgico de alta complexidade está disponível para o manejo seguro dessas cirurgias.


O que esse estudo muda — e o que permanece igual

É natural que publicações como o PRS 2025 gerem dúvidas em mulheres que já têm implantes ou que estão em processo de decisão. A resposta honesta é: o estudo não muda as indicações cirúrgicas, não invalida procedimentos já realizados e não recomenda explantação preventiva em pacientes assintomáticas.

O que ele reforça é a cultura da medicina baseada em evidências aplicada à cirurgia plástica: escolha criteriosa do dispositivo, técnica cirúrgica depurada, acompanhamento longitudinal e comunicação transparente entre cirurgião e paciente. Mulheres com histórico familiar de câncer de mama, portadoras de mutações BRCA1/BRCA2 ou com diagnóstico prévio de lesões proliferativas devem discutir com seu cirurgião plástico e com seu mastologista a melhor estratégia antes de qualquer procedimento — seja estético ou reconstrutivo.

Para quem considera a mastopexia com prótese ou o aumento mamário com implantes Motiva, a consulta individual continua sendo o único caminho para uma decisão segura e personalizada. O perfil do Dr. Alexandre Peruzzo inclui formação específica em cirurgia mamária, membro titulado da SBCP (RQE 34441), com prática cirúrgica exclusivamente no Hospital Moinhos de Vento — Unidade Pontal.

Vale também considerar que a saúde mamária integra um contexto mais amplo de saúde feminina. O equilíbrio hormonal, inflamatório e metabólico — abordado no Programa de Longevidade — tem influência reconhecida na resposta imunológica sistêmica, incluindo a imunovigilância tecidual que o PRS 2025 coloca em foco. Para pacientes que investigam a tela de sustentação interna TIGR® Matrix como alternativa a implantes em algumas indicações de ptose mamária, esse é mais um ponto de discussão pertinente na consulta.

Outros posts do blog que podem complementar sua leitura: o que é retração de pele a laser e como ela se integra à abordagem da mama, e a mastopexia interna sem cicatrizes externas para casos selecionados de ptose leve a moderada.


FAQ

O estudo PRS 2025 diz que implantes mamários causam câncer de mama? Não. O estudo investiga alterações no microambiente imunológico da cápsula periprotética, mas não estabelece relação causal entre implantes de silicone e carcinoma mamário. Décadas de dados epidemiológicos não demonstram aumento do risco de câncer de mama epitelial em portadoras de implante.

O que é BIA-ALCL e devo me preocupar com minha prótese atual? O BIA-ALCL é um linfoma raro de células T associado principalmente a implantes de superfície macrotexturizada de determinadas marcas. Se você possui implantes de marcas retiradas do mercado (como Allergan Biocell), converse com seu cirurgião plástico. O principal sinal de alerta é o seroma tardio — acúmulo de líquido na mama após um ano da cirurgia, sem causa aparente.

Mulheres com histórico familiar de câncer de mama podem colocar prótese? Podem, na maioria dos casos, mas a decisão deve envolver avaliação conjunta do cirurgião plástico e do mastologista. O histórico familiar, a presença de mutações genéticas e o protocolo de rastreamento personalizado são determinantes para a conduta segura.

Como deve ser o acompanhamento de quem tem implante mamário? A SBCP recomenda avaliação clínica anual com o cirurgião responsável, rastreamento mamário com o método adequado ao perfil da paciente (mamografia com manobras de Eklund, ultrassonografia ou ressonância magnética) e comunicação imediata de qualquer alteração — dor, assimetria nova, endurecimento ou aumento de volume.

Os implantes Motiva são mais seguros do que outros? Os implantes Motiva (Establishment Labs) apresentam superfície SilkSurface ou SmoothSilk, tecnologia de rastreamento RFID individual e gel cohesivo de última geração. Estudos de longo prazo e o próprio PRS 2025 sugerem um perfil de resposta capsular mais favorável em comparação com implantes macrotexturizados. A indicação, porém, é sempre individual.

Devo retirar minha prótese por causa desse estudo? Não, se você for assintomática e suas próteses forem de marcas seguras e aprovadas pela Anvisa. A explantação preventiva não é recomendada pela SBCP, pela FDA nem pela literatura científica atual em pacientes sem sintomas e sem diagnóstico confirmado de complicação.

Referências
  1. Plastic and Reconstructive Surgery — Breast Implant Capsule and Immune Microenvironment (2025)
  2. SBCP — Nota Oficial sobre BIA-ALCL e Implantes Mamários
  3. FDA — Breast Implant-Associated Anaplastic Large Cell Lymphoma (BIA-ALCL)
  4. American Society of Plastic Surgeons — Breast Implant Safety
  5. Campanale A et al. — BIA-ALCL: A Systematic Review. Aesthetic Surgery Journal, 2021
  6. Kricheldorff J et al. — Incidence of Cancer, Maligant Lymphoma, and Survival in Women with Breast Implants. DTSCH ARZTEBL INT, 2018
  7. Resolução CFM 2.336/2023 — Normas para publicidade médica no Brasil

Cirurgia de mama com precisão e cuidado.

Mastopexia com prótese, mastopexia interna, prótese de mamas e tela de sustentação interna (TIGR® Matrix).

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Dr. Alexandre Peruzzo

Cirurgião Plástico · Porto Alegre / RS · +25 anos · +7.000 cirurgias

CRM-RS 26736 · RQE 34441 · Membro SBCP

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